Assim, transferida para um local mais isolado, encontravam-se na ala eu, uma senhora com mais de 70 anos, e dois rapazes em recuperação de narcóticos. Conheci todos no primeiro dia, bem como fui alimentar-me no refeitório geral.

No refeitório externo pude encontrar com várias internas que conheci na ala geral, e, para minha alegria, algumas delas tinham recuperado-se o suficiente para serem transferidas para a ala de reintegração, mas esta alegria não passou despercebida, pois fui marginalizada por não estar no mesmo local que elas. Chamaram-me de `chiquinha´, pois souberam que eu estava numa ala `diferente´.
Minha alegria perdurou quando encontrei uma interna que ficou impregnada pelos medicamentos (como as próprias internas chamavam o efeito colateral) e a mesma estava melhor. Lembro-me que na ala geral ela mal conseguia alimentar-se sozinha, parecia uma vara de marmelo sendo sacudida, e, agora, os tremores haviam diminuído – ou trocaram os medicamentos ou ela acostumou-se com os mesmos.
Até então, eu não fazia uso total dos medicamentos, pois toda vez que me medicavam eu ia para o banheiro para tentar vomitar aquela pílulas maceradas em água; acredito que conseguia na maioria das vezes, mas confesso que senti-me um pouco mais segura para experimentar o efeito da medicação nesta tal unidade Mesmer, e, depois da primeira noite sem sobressaltos de gritos ou movimentos, eu fui acordada as 5 da manhã com a medicação não macerada, levada em minha cama. Que conforto.
Passei a frequentar as atividades de reintegração, a me alimentar, ora na própria unidade Mesmer, ora no refeitório geral. Enfim, a vida ficou mais fácil quando um pouco de liberdade foi fornecida, mas eu ainda tinha que ser acompanhada em todos os lugares, jamais sozinha.
Pintei quadro; desenhei; cantei num pretenso coral; cantei num karaoke; varri jardim; escrevi um prólogo; tentei ler alguns livro, mas impossível com a medicação; cozinhei um bolo de cenoura; assisti a algumas palestras; fiz aulas leves de alongamento e exercício localizado; tive dieta especializada de hipocalorias e laxativos; – afinal, o plano de saúde e a conta pagavam por isto tudo.
Eu também tive algumas situações engraçadas com outros internos; fiz algumas amizades; senti medo de alguns esquizofrênicos, pois fui ameaçada, e outros escondiam-se em máscaras de anjos; tive inveja da liberdade dada aos que estavam lá para a recuperação pelo uso de narcóticos; tive umas três conversas com o psicólogo; – afinal, o plano de saúde e a conta pagavam por isto tudo.
Tive visita do meu padrasto, da minha irmã e do Fernando. Mas, o que eu não esperava aconteceu.
Conheci um rapaz que fora recém internado por tentar tirar a própria vida, e tinha outras similaridades com a minha biografia. Papo vai, papo vem, nos identificamos e ficamos amigos rapidamente. Este amigo possuía alguns elementos na fala, tanto que eu mal conseguia prestar atenção em seus olhos castanhos. Nas nossas conversas fomos muito sinceros e abertos, falamos sobre tudo, inclusive sobre os abusos que sofremos, e, na manhã seguinte, uma manha de domingo, para ser mais clara, o abuso encoberto por mais de 30 anos foi revelado após o despertar do sono.
Fiquei transtornada; deprimida; angustiada; enjoada; ferida; tolhida; amargurada; mal amada; compreendida em meus pesadelos; perdida em minha infância; arrancada do meu paladar por chocolate (único prazer certeiro que possuía).
A vastidão de sentimentos tomou-me e a visita que era para ser tranquila, acolhedora, foi horrenda. Senti-me desprotegida por que eu queria me me protege-se e repeli o Fernando naquele momento – afinal, ele sabia dos fatos, e jamais mostrara alguma indignação. Eu sequer falei de fato o que eu lembrara, mas a repulsa pelo masculino, o desatino do género, fez-me purgar todo o rancor que eu possuía.
Logo trouxeram um psiquiatra de plantão que quis saber todo o ocorrido e conversou muito comigo e medicou-me. Enfim, o último degrau parecia ter sido ultrapassado.
Naquele mesmo domingo era dia de karaoke e eu deveria ter ido para esta atividade, mas nenhum enfermeiro confirmou o meu encaminhamento – véspera de feriado de finados, e ninguém estava muito contente de estar trabalhando. Foi então que senti-me frustrada, pois fiquei o dia inteiro presa naquela unidade, que embora muito bonita, não permitia que os pacientes psiquiátricos ficassem ao ar livre sem acompanhamento.
Uma angustia; um aperto; um sufocar na minha garganta; uma loucura; uma vastidão; um desespero; um medo; um choro inconfundível e irreparável. Passei mais de 3 horas chorando sem parar, pedindo para ligarem para o Fernando ou para o meu pai ou para a minha mãe para que eu fosse embora.
Implorei; chorei; gritei; urrei; vomitei; veio o psiquiatra que tentou dialogar comigo achando que meu ataque referia-se ao feriado em si. Discutimos e ele, o psiquiatra, buscava elementos no meu quarto para que conseguisse me convencer a tomar um medicamento para eu dormir, bulinou nos meus livros; falou que as estatísticas de pessoas com o meu conhecimento e capacidade eram favoráveis à minha recuperação; discutiu meu diagnóstico comigo; discutiu minha situação medico-legal comigo, até que enfim, eu disse: – Me interdita então, pois eu não estou aqui porque queira, estou aqui porque me internaram mesmo e eu não quero mais esta prisão de luxo! O médico dos médicos, o psiquiatra respondeu-me com a maior tranquilidade de que eu mesma sabia que não era caso de internação. FINALMENTE!!! ALGUÉM SÃO NAQUELE LUGAR! Discuti mais um pouco para ter certeza do que eu ouvia, e, enfim, aceitei a medicação, mas não consegui conter o pranto e após mais 1 hora medicaram-me novamente. Dormi…
Na segunda-feira acordei com uma sensação diferente – talvez fossem todos aqueles medicamentos para dormir que continuaram me dando pela manhã. Mas eu tinha certeza de uma coisa, após 8 dias naquela instituição eu tinha visto de quase tudo, escutado de quase tudo, e sabia que não pertencia aquele lugar.
Naquela manhã de finados eu acompanhei um pouco da rotina da enfermaria e tive acesso a leitura do acompanhamento da minha evolução. Haviam colocado em meu prontuário que na noite anterior eu fiz uso de medicamento por motivo de agitação com evolução para insônia. Não tocaram no assunto do meu pranto incesso, não tocaram no assunto das minhas motivações. Ainda ouvi de uma enfermeira que meu marido devia estar trabalhando muito para pagar a minha estadia ali. Decidi então que eu deveria me tirar dali, pois as solicitações para contato com alguém da minha família eram sempre reprimidas.
Joguei meus joelhos no chão. Joguei minha cabeça no chão. Levantei minhas mãos para o alto. Pedi perdão à Deus e forças para sair dali, para curar-me, para limpar meu coração.
No fim da tarde daquele dia de finados eu escrevi um requerimento às Diretorias daquela instituição, e ouvi dos companheiros de loucuras da unidade Mesmer que eu tinha caído da cama, que aquele meu requerimento era mero sonho.
No requerimento constavam as informações do meu pranto na noite anterior; meu pedido de transferência de ala, pois eu não queria pagar por luxo; pedido de contato com meus pais, para que os mesmos soubessem que eu estava internada; pedido de alta médica ou troca de responsável pela minha internação.
Na terça-feira, dia 3 de Novembro de 2009, acordei com meu requerimento, e sua devida cópia, prontos para serem lidos e protocolizados por qualquer preposto daquela instituição. Tentei com a enfermagem que negou-se o recebimento; tentei com a assistência social que aceitou o recebimento mas não quis protocolizá-lo, alegando que não tinha carimbo – eu sou advogada, posso ser considerada louca, mas ainda sim sei que devo ter o devido comprovante de recebimento de um documento; enviaram-me, enfim, à psiquiatra titular do meu caso… hahaha
HAHAHA SIM!, pois quando levaram-me à fila de espera pediram que eu acompanhasse minha coleguinha de mais de 70 anos da mesma unidade. Esta coleguinha, numa noite, confessou-me que falavam para ela me enforcar… aff!!! Tudo bem… acompanhei a senhora e a psiquiatra pediu que eu permanecesse na consulta da mesma senhora, pois atenderia-me logo após.
Permaneci na consulta e percebi que a psiquiatra, propositadamente, deixou que a senhora falasse por mais de 30 minutos – jamais passávamos de 15 minutos numa consulta, a não ser que fosse algo muito crítico, e olha que situações e condições críticas eram a coloquialidade daquele lugar. Após o termino da consulta a psiquiatra explicou para mim, e para aquela senhora, que seria a minha vez de consultar-me, mas que a minha coleguinha, a senhorinha, também permaneceria na sala. Lembro-me claramente que a psiquiatra sabia que eu seria interrompida pela senhora que portava várias doenças mentais, mas a psiquiatra só prestava atenção nas minhas reações e em meus gestos. Enfim, passei no teste e ela ouviu-me e protocolizou o recebimento do meu requerimento falando que adiantaria a minha alta.
Em 30 minutos a minha alta estava formalizada e a assistente social veio conversar comigo para informar que no dia seguinte eu retornaria para casa. Fiquei feliz demais!!! Contei para todos e também vi felicidade nos olhos daqueles que me acolheram.
Dia seguinte recebi a ligação do meu padrasto que conversava com o psicólogo e pude trocar algumas palavras com o meu padrasto e tranquilizá-lo. Enfim, uma ligação foi recebida – negaram-se muito a fazer qualquer ligação para qualquer pessoa que eu pedisse e enfim foi-me permitido no dia de minha saída.
No mesmo dia o Fernando veio me buscar. Visitei amigos. Retornei para a casa da minha sogra e ouvi do Fernando que o mesmo já não me amava mais, mas ao cair da noite fui procurada por ele.
Algumas revoltas, confusões sentimentais, apelos…
Todo o possível tinha sido realizado por mim.
Fiz tudo que eu podia e não podia.
Lutei por alguém primeiro, para depois lutar por mim.
Não deu certo, pois o amor não era suficiente para uma nova tentativa.
Vai saber, sequer, se houve amor algum dia.
Eu amei.
Eu tentei.
Eu enlouqueci.
Eu morri.
Eu escondi.
Eu encontrei.
Eu renasci.
Eu perdoei,
A mim.
Eu vivi.
Agora quero paz!
Quero ser amada por mim e por outros.
Chega de humilhação!!!
Minha linda e amada avó – que Deus a guarde e me perdo-e por algum dia ter falado seu nome em vão – sempre disse que quem muito se abaixa o aparece. Ela tinha razão…hehehe

Das águas

28/11/2009

Das águas que possuo,

dos desejados suspiros,
do corpo desnudo,
da falta de pudor,
Mas nada é comparável com a prisão que a minha mente criou.
Aguei,
Suspirei,
Desnuda fiquei,
Despudorada estou,
Mas nada é comparável com a água que vem das portas da minha alma.
Criei,
Esqueci,
Lembrei,
Acobertei,
Mas nada é comparável a chance que me dou.
No repouso do leito ficou a mancha rubra… isto sempre ocorreu assim… mas agora eu estou segura, pois não estou só em mim.
Estou no outro que me acolhe,
Estou no outro que quer me mostrar que a vida continua,
Estou no hálito de quem tem sede,
Estou nos olhos de qualquer um.
Tudo vira novidade em roteiro conhecido, pois os inícios, meios, e, fins sempre serão esquecidos para que possamos acreditar na novidade, novamente.
Da prisão que aos poucos me liberto,
Da missão que tenho em não me ferir,
Da partida doce e tentadora,
Do afago de alguém novo.
Não importa mais, o início ocorreu, era certo, mesmo eu não buscando; mesmo eu fugindo dele; mesmo eu querendo acreditar que grandes amores poderiam existir.
Daí a lembrança que foi lamentada em meus olhos; lágrima escondida já em momento recôndito.
Minha carne exposta, e em feridas de indignação e medicação; urticária, alergia, rubra febre dérmica.
Eu mereço o novo; eu mereço que outro venha adentrar, pois o que foi feito não pode ser reparado; pois o amor perdido não pode ser resgatado.
As águas,
A nudez,
A mente,
A vez.
Eu mereço uma oportunidade de divertir-me, uma oportunidade doce que me exalta; uma oportunidade sincera e sem expectativas; uma oportunidade dócil e que vê em mim a unicidade e a dignifica.
Frente ao espelho manchado pelas águas que derramei,
Imagem minha, borrada por tamanho pranto,
Vejo-me novamente; esguia; magra; uma menina,
Vejo-me ardente não só das urticárias, mas ardente na alma tenaz; na alma sagaz; na alma infantil de querer viver e ter a sorte de um amor tranquilo.
Vou dar esta chance a mim.
Eu mereço,
Eu mereço ser feliz.
Haverá alguém como eu.
Há alguém como eu.
Eu me copio,
Eu me toco,
Eu me retoco,
Eu me reinvento.
Porque a água é a única que realmente não é impedida quando está em grande volume, e, lembro perfeitamente que em várias ocasiões repetiram várias vezes que as minhas águas são claras, mas profundas e vastas, fortes e velozes, capazes de dar a vida e de destruir.
Eu aguo,
Eu forte,
Eu veloz,
Eu vida,
Eu sou a água.
Eu destruo.
Eu construo.

Existência

28/11/2009

Acabaram de citar que o homem só compreende seu papel em todo o universo quando observa que e finito. Aí sim o homem passará a entender a sua humanidade, pois nasce, vive, fere, morre, como qualquer ser que sabemos existir.

A necessidade de preservação de uma unidade, ou seja, de uma única vida deve ser, no mínimo a prioridade de cada um.
A minha preservação, portanto, está em estar perto de quem realmente me ama, estar perto do que me faz feliz – embora confusa no que eu deseje ou entenda como felicidade para mim – mas estar perto sem me ferir.
Até mesmo aquele que te ama incondicionalmente, sua mãe por exemplo, é capaz de te ferir, e a unicidade de preservação é acionada.
Muitos reagem de várias formas para preservarem-se: há os que agridem; há os que se fazem de vítimas; há os que se ausentam em si mesmos; há os que culpam terceiros. Eu estou na categoria dos que se afastam, já percebi isto, pois por diversas vezes pratiquei o afastamento. Ontem mesmo pratiquei o afastamento da minha amada irmã. Amada sim, mas senti-me agredida, então, por momentos que sei que são breves, pratiquei o afastamento.
Essa unicidade de preservação; essa consciência de que tudo é finito, permite-nos, inclusive, optar como nos mostraremos ao mundo. Neste momento opto por mostrar a verdade que acredito, ou seja, a que vivo, embora possam existir outras concepções para os fatos recentes.
O mais importante disto tudo é que continuei a viver, embora obrigada a me afastar de pessoas que eu amo; embora obrigada a me afastar de ambientes que gosto; embora obrigada a readaptar-me, eu vivo, sempre sobre oração, vigiando a mim; vigiando a intenção e atitude dos outros; vigiando o que me cerca, inclusive para poder apreciar a vida que vivo.
Engraçado como uma pessoa pode lhe dizer uma frase que eu já tinha escutado diversas vezes, mas como esta pessoa é especial eu prestei um pouco mais de atenção no sentido que isto trazia para o meu cotidiano.
Eu sou finita nas minhas virtudes e nos meus erros; sou humana e imperfeita, precisando saber apreciar melhor a vida e guardar-me melhor dos outros que me prejudicam ou me prejudicaram, mesmo que sem querer ou por um breve momento.
Infinito e Perfeito só Deus. Conhecedor de todos os perigos e sabores, só Deus. Onipotente só Deus.

Juliana e Fernando,

Não importa se vocês continuam juntos ou não, ou se voltarão a relacionarem-se.
Importa que eu, magoada por tudo o que aconteceu; ressentida por perder o marido que eu tanto amo e tanto me dedicava; lesada por uma promessa que foi feita quando dei todos os meus bens (poucos, mas únicos para mim) e tal promessa não foi cumprida pelo Fernando; humilhada quando descobri que meu amor de nada valia para o homem que eu realmente amava;
PERDOO VOCÊS, POIS SE EU NÃO PERDOAR TODA ESTA DOR QUE ME CAUSARAM eu não poderei ser digna de ser perdoada quando eu errar, ou digna e continuar vivendo.
Perdoo porque a minha dor foi tão grande que se não houver perdão eu vou viver amargurada para o resto de minha vida.
Perdoo porque não quero que homem que eu amo me chame de irmã, prefiro ser uma amiga.
Perdoo porque nada fiz contra você Juliana, embora jamais você tenha tido coragem de me olhar nos olhos ou me cumprimentar quando nos encontramos, então eu entendo.
Perdoo porque orações foram feitas para que eu fizesse isto, perdoá-los, pois eu sou só uma pessoa, diante do amor que vocês tem ou tiveram um pelo outro.
Desejo, inclusive, que se vocês continuarem juntos, sejam muito felizes. E que haja respeito, compreensão, companheirismo, cumplicidade, amor, dedicação, confiança e muita quimica entre vocês. E se tudo der certo, desejo que você Juliana, dê ao Fernando o filho que ele tanto quer e que a minha sogra acabou de dizer que eu demorei muito a ter.
Desejo que vocês não guardem mágoa de mim, pois tudo o que fiz foi por amor. Desejo também  que não tenham pena, pois eu vou superar. Desejo também a vida os agracie com muitas felicidades e prosperidade.
Peço só, assim como eu peço aos meus amigos, que vocês possam orar por mim, assim como orarei por vocês.
Peço que entendam que por enquanto, quando eu for a São Paulo, ainda vou ter que ficar na casa do Fernando para resolver as coisas.
Que Deus os abençoe.
Felicidades.

Todas as roupas entregues eram marcadas com um número; estes números nos acompanhariam enquanto estivéssemos lá (estes números ainda me acompanham em algumas peças de roupas e sapatos que eu gosto muito). Enfim, a numeração facilitava a lavagem de roupas e evitava confusões, mas confesso que eu me sentia marcada como gado, pois muitas vezes pensamos que nossas coisas fazem parte de nós.

Quando na ala geral ocorrera a primeira visita, fomos acordadas mais cedo e impulsionadas para o banho, pois os familiares deveriam nos ver bem; nestes dias, principalmente, vinham estagiárias de enfermagem para nos maquiarem.
Chegara o horário das visitas e eu, toda pronta, banho tomado, vestida, maquiada, esperei minha família, alguém… passaram-se 10, 15 minutos e nada… Entrei em desespero, pois senti-me completamente abandonada e passei a procurar papel e caneta para escrever bilhetes com o número de telefone do Fernando (único número que eu lembrava) para que ele fosse me buscar para ir embora. Lembro-me que consegui que 2 famílias aceitassem os bilhetes, e posteriormente descobri que uma efetivamente ligou, mas o Fernando denunciou a ligação, e na reunião de familiares houve represália da entidade.
Quanta frustração um ser pode aguentar diariamente?

Lembro-me que a primeira vez que conversei com a assistente social, depois de uma longa espera, pedi que ela entrasse em contato com a minha mãe e com meu pai, pois eles não sabiam que eu tinha sido internada. Também lembro que eu pedi que ela desse um recado ao Fernando, que a clínica, todas as suas paredes, teto, chão, tudo era verde; este recado deveria lembrar ao Fernando sobre um pesadelo que eu tive algumas semanas anteriores. O pesadelo era do tipo de possessão; uma mulher de pele verde vinha até mim e falava em meu ouvido: SOCORRO! – depois de algum tempo entendi que esta mulher no sonho era a minha saúde mental; afinal, desistir de viver e tomar atitude para tal não é fricote, é doença.

Enfim, eu estava doente e por este motivo colocaram-me ali. Ninguém teria a capacidade de dispor-se completamente por mim , e foi assim que, posteriormente, eu descobri que por mim só eu poderia ser. É duro demais quando se descobre com Dor, mas também foi muito importante, pois minha fé foi renovada.

Após a primeira visita, inútil para mim, eu caí em aceitação e passei a adotar um comportamento letárgico; se não havia nada para fazer porque eu me preocuparia em encontrar algo? Foi então que numa quarta-feira fui transferida para uma ala diferente. Primeiro eu pensei que eu fosse para a ala de reintegração, onde havia área livre, atividades, livros; área mista, ou seja, homens e mulheres, área onde as pessoas tinham mais liberdade e podiam jogar ping-pong; área onde as alimentações eram feitas externamente, na cantina. Fiquei tão feliz!!! Meu coração pulava de alegria, pois eu poderia ler, tomar sol, conversar com todos sem medo de ser repreendida. Mas…. ledo engano.

Na verdade, eu estava sendo transferida para uma ala elitizada, que embora mista, não era nada do que a ala de reintegração era. Quando cheguei aquela ala elitizada, minha primeira frase foi: – Não posso pagar por isto! Eu não quero. Disseram-me então que tudo estava certo com o meu marido e com o plano de saúde. Mesmo assim, algo dizia-me que não estava certo.

Nesta ala eu tinha meu próprio quarto com tv a cabo, uma cama, um sofá, uma escrivanhinha com cadeira, um armário, com meu próprio banheiro com espelho e uma boa ducha, não havia tranca, nem mesmo no banheiro, mas isto era mais do que compreensível. O nome da ala era Mesmer.

Transferida, deixaram-me levar todas as minhas coisas e eu as enrolei numa toalha. Fiquei muito surpresa quando cheguei na Mesmer, pois era nova, ampla, com hall imenso com o teto como uma abóboda, onde comportava sala de jantar e sala de estar, com uma tv moderna. A frente havia o centro dos enfermeiros, com computadores. A vista era ampliada pelos vidros que permitiam enxergar o estacionamento, os quartos estendiam-se como braços, o lado esquerdo era feminino e o direito masculino. Naquele lugar também ficavam algumas das pessoas que participavam de outra linha de tratamento daquele lugar, a dos narcóticos. Também tive a notícia de que eu estava liberada para atividades junto com a ala de reintegração, bem como poderia alimentar-me fora, no refeitório geral.

Agora vou dar mais um tempinho… embora eu esteja bem melhor, todas as lembranças mexem comigo.

Atualizações

23/11/2009

Como todos sabiam, eu era casada,
Casada com o coração e com o meu corpo, até que a avassaladora memória do ciclo da vida levou meu amor.

Fui trocada por uma mulher de 25 anos – que coisa mais cliche – óbvio, eu nunca vi um homem trocar de mulher, sendo a nova mulher, mais velha do que a antiga mulher.

Também fui apelidada fraternalmente,
Assim, mesmo perdoando é incapacitante manter-se uma relação com um irmão. Foi exatamente assim que ele, se definiu.

Se doeu? Mas é claro que doeu! A dor foi tanta que invadiu até meu espírito e a minha alma.

A dor foi tanta que levou-me da Vastidão de sentimentos à Loucura de ações e acontecimentos.

Mesmo assim, compreendo que foi necessário sentir toda esta dor, pois dizem que a dor é um fator de amadurecimento.

Se amadureci? Ainda não sei, saberei assim que envolver-me num novo relacionamento – o que não será difícil, pois não faltam pretendentes -, mas eu quero um tempinho pra mim, um tempinho pra descobrir que eu vivo bem comigo mesma.

Celibato? Não!… posso namorar, mas me envolver… só mesmo se aparecer uma nova paixão, um novo grande amor que, embora eu não espere que aconteça, como a vida é cheia de surpresas, quem sabe?

Quem sabe?

Quem?

Sabe?

Depois do devaneio remediado duplamente; acusações insanas e presentes; qualquer justificativa para um corpo intoxicado de mágoas e pílulas, seria em vão.

Levaram-me à casa dos loucos – o prostibulo de sanidade e ideia – esperando que lá curassem algo que foi trazido até mim.

Eu me recordo do medo; do tempo que passei calculando meus gestos e atitudes para que não fosse confrontada, mas as histórias repetiam-se em cada rosto, espelhos de minhas torturas e então orei o credo à mais uma vítima.

O tempo desperdiçado foi levado em consideração. Aprendi que o ser humano é capaz de viver em qualquer condição e situação, pois cria suas próprias ilusões.

Desde o primeiro minuto supliquei pela minha fraqueza. Requeri aos que ali me colocaram, mas foi em vão – percebi que estava sozinha – eu era mais uma das loucas daquela ala, e tudo que eu falasse ou fizesse, mesmo que mais consciente ou consequente, seria interpretado por outros seres que enxergariam-me como quisessem.

Até a auto-piedade foi minha companheira. Encontrei, também, acalento nas loucuras alheias – pois estas eram as únicas verdades que ofereciam-me – , pois os doutores não dispunham-se ao acompanhamento – éramos mais de 30 (trinta) para uma enxuta equipe.

Enfim, concordei com o que diziam, embora fizesse de tudo para que os medicamentos não me transformassem em mais um zumbi.

Lembrei muito de quando eu internei minha mãe, e tentava comparar os meus motivos com os motivos que os outros apresentavam.

O cofre de nicotina era uma das coisas que mais me irritava; um cubículo de 3×4 metros, dentro da própria ala, onde as fumantes, de 5 em 5 minutos, aplicavam suas frustrações. Este tipo de comportamento afetava o trabalho dos auxiliares, pois eram obrigados a dispor de tempo no controle de cada cigarro e cada fumante. Em 3 dias foi implantada a ação anti-fumo. Graças ao Serra!!! Pois em local fechado já era proibido o fumo e lá, na clínica, era permitido às internas o uso desta bengala. Enfim, o adesivo pet colou e o desespero de dezena delas começou.

Lembro bem de uma que passava o dia a gritar e chorar; pedia por um cigarro e negava-se à utilização do adesivo de nicotina. Eu via em seu rosto o inferno pessoal instalado; calafrios dela passavam à mim.

Minhas roupas chegavam aos poucos, e todo o tempo era inútil, ou desperdiçava-se na tv ou dormindo. Alguma internas, com mais de uma semana, eram liberadas a alimentar-se fora dali.

Agora preciso de um tempo…
É cansativo lembrar, pois eu mesma tive que sair de lá, mas este é outro capítulo para lembrar.

Novas visões

15/11/2009

Eu acreditava, somente, no que enxergava,
Acreditei, também, no que senti,
Mas, atualmente, espero que o mundo surpreenda-me.

O gosto do negresco de mesma denominação,
A audível alegria alheia,
A certeza do acontecimento, e a necessidade de afastamento,
São, no mínimo, sensações que preterem meu desprezo.

Eu adiei demais o retorno da verdade,
Mesmo que a verdade fosse o que li em dia de reunião fraternal:

“A verdade é que você mente todo dia”.

E a mentira para si mesmo, mesmo que seja a pior das versões da verdade, muitas vezes, é a única visão do que é a vida.

Viver em uma única reunião, para um único, e exclusivo, objetivo pessoal, é ato extremamente egoísta; quero extirpar tal comportamento e adotar novas visões.

Não fosse a minha capacidade de renovação; não fosse minha sanidade independente; não fosse a cognição dos meus próprios estímulos; talvez eu não estivesse aqui, pois o abandono foi certo, e covarde.

Novas visões acolheram meu peito em mesmo apelido; novas visões fazem, de mim, uma pessoa melhor.

Não mais importará a escolha alheia, porquê eu encontrei, em mim, o real propósito da existência egoísta e única; tão singular quanto cada inspiração que travei em peito.

Novas visões trarão meu tempo,

Novas visões sanearão meu despertar.

O estranho, que ao ninho adentrar, trará, mesmo que uma mentira, uma nova visão.

É isto que quero enxergar.

Diante de 11 andares vi minha vida passar em menos de um segundo e concluí que eu queria viver muito mais.
Procurei o doutor dos doutores, e contei os degraus que subi, este doutor receitou-me pílulas, mas com cautela terceira – de um amor inexistente e perturbado que mandou-me para outro destino.
Concordei em assumir o devaneio daquela descida, e acolhi a vastidão unitária do remédio.
Não houveram sonhos naquela noite, pois este remédio é feito pelo homem – filho do Deus MORFEU.
Acordei atordoada, e, num momento de fraqueza causada por singularidade medicinal – não sou habituada – vislumbrei minha loucura que entoava um canto assim: – rápido e sem dor!
Minha palma ficara repleta do que restava dos 29 MORFEUS, e engoli rápido, esperando o sono tranquilo e eterno.
Loucura!!!

Transformação

29/09/2009

Independente de qualquer fonte ou termo,
Tudo passará por transformação.

Todo amor,
Toda dor,
Toda tristeza,
Toda beleza.

Importa que,
No caráter de cada ato,
Na premeditação de cada laço,
Conhecemos a intenção pessoal do indivíduo.

No fim,
Tudo se complementa,
Tudo se desvenda,
Demonstra a que veio.

Finalmente conhecemos o sentido do ciclo vital,
Não importa a intenção imposta, mesmo que seja de terceiro.

A sobriedade da natureza é irretratável,
Ela,
Enfim,
Encontrará um meio.

Em memória

21/09/2009

Novamente,
Vem à mente,
A memória da minha gente.

Na rima dos Rios,
Risos,
Tios,
Primos.

No detalhe desatento,
Da marola que vem do vento,
Do tilintar das águas,
Destinos das mágoas.

Deixei de não lembrar,
Quis acalentar,
Toda melancolia que vem do mar.

De pequena eu quis viver,
Algo mais iria acontecer,
Sem medo de sofrer,
Entreguei-me ao anoitecer.

Essas eram as minhas memórias,
Esquecidas no batente do meu nariz,
Porque um dia eu quis,
Um dia achei que poderia ser mais feliz.

Não fosse o desalento,
Não fosse o acometimento,
Não teria lembrado o que desmemoriado.

Acreditar

19/09/2009

Quero acreditar na conspiração de cada partícula que existe neste Universo.
Quero acreditar que o mundo é feito de todas as possibilidades positivas.
Quero acreditar que os rótulos a que fui imposta são removíveis.
Quero acreditar que os rótulos que impus serão removidos.
Quero acreditar que o amor se renova.
Quero acreditar que há dignidade.
Quero acreditar que há paz.
Quero acreditar na ternura.
Quero acreditar.
Quero.

Deslumbrado e Libertina,
As acusações, verdadeiras, que fiz a vocês dois,  foram retiradas, pois quero preservar a vida do Deslumbrado – isso é amor.
Já sei que a consequência para a Libertina seria uma viagem à Europa – um nórdico e belo luto.
Não quero ser culpada de sentir e viver o ardor de uma vida, retirando a de uma pessoa da qual eu fiz um voto.
A vida que vocês querem levar – escurecida pela mentira – não é a que eu quero para mim.
Não há amor em furor, Libertina.
Não há amor em insulso, Deslumbrado.
O escárnio da divisão da cama ocorreu, mas não participarei da divisão da lama.
Aos que perguntarem – de minha boca – retumbará o cunho da traição, mas sem o ódio pretérito, pois meu coração teve parcialidade em termo.
Deixo o riso no lar desfeito, pois todo o medo é impulso para uma superação.
Quem realmente será feliz sou eu.
Meus votos de superação.

Raquel Barinee

Morte

11/09/2009

Quando morre algo dentro da gente é muito difícil olhar adiante.

Ficamos cedos na dor da perda de algo que fazia parte de nós.
Ficamos estúpidos com qualquer coisa que nos cerca.
A dor física é inevitável.
Não podemos obrigar alguém a nos dar amor.
Não podemos obrigar o mundo a nos aceitar com dor.
Queria eu poder ter um elixir que resolvesse todo o desengano.
Queria eu não sofrer desilusão.
Morreu dentro de mim um pedaço grande.
Morreu na data de aniversário do oitavário da referência juvenil.
Não creio mais.
O cheiro da morte é crestado.
A mudança ocorreu.

Nascimento

08/09/2009

Porque o processo de escrita é tão espelhado, mesmo assim, muito salgado.

Porque ser eu mesma é tão irreal.
Porque pensar de fora é tão difícil, e ao mesmo tempo tão prazeroso.
Porque o tom rosado do crepúsculo traz uma delicada esperança.
Porque tudo tem seu início, meio e fim.
Porque o meu entardecer é tão melancólico que o anel vital – para mim, latente – é dolorido como um parto.

Lembro de um filme que tinha este título, ou não. Mas, de fato, o que importa o título de um filme que seria o título ideal para este “post”?

Então…
Sortes do dia. Horóscopos a parte. Visitações e popularidade suspensas. Cobertas sentimentais. Monotonias repetidas.
Mesmo com toda ou qualquer movimentação, a minha Terra parou.
Busco respostas que não foram respondidas, pois a pergunta, sequer, retumbou.
Encontro padrões de inércia.
Chacoalho meus sentidos, pois não é possível que só eu esteja vendo, repetidamente, o mesmo retrato.
Faço o maior drama para que a importância seja minha. Mas, não importa, porque a TERRA parou.
Queria poder ter a força dos heróis, e carregar o mundo nas costas. Levar a TERRA até o eixo que eu quero ou aguento, mas …
eu não posso, sequer, dar o pontapé para colocar a TERRA para andar, pois não vejo o meu pé.
Não choro. Não respiro. Não vejo.

Depois que passa o medo do desconhecido, e que estabelecemos metas para tatear o caminho, fica a pergunta:

- É possível recomeçar?
Dadas as circustâncias da descrença – o negrume cerca o que a vista poderia alcançar – a possiblilidade de obter-se acalento em um aparo irreconhecível é opção assustadora.
Quisera eu ter tido o discerrimento enquanto o esmaecido acontecia, eu perdida em seio próprio – único lugar que aparentara ser seguro.
Pudera eu levantar o brado libertário daquela biografia – recôndito do pecado alheio.
Conseguisse alcançar a almejada boa fortuna – felicidade utópica e romântica dos sonhos de menina – estaria em gargalhada notória.
Este é o olhar arrependido! Este é julgo dos vencidos! Aqueles que buscam sobejos da âncora, em meio a escuridão.

Aquela Cor

26/08/2009

Ontem e hoje, a cor negra tomou meu coração!

Digo coração porque é o órgão mais lembrado por nós quando falamos de sentimentos.
Sem poesia, nem trocadilhos, nem eufenismos ou metáforas. Mas eu estou lutuosa.
Morreu dentro de mim algo que jamais deveria morrer, porque jamais deveria existir, a fé no próximo. A fé no ser humano.
Já disse a muitos que desconfio até da minha própria sombra, mas agora já não desconfio, acuso.
Primeiro digo que há um culpado, e será aquele que estiver com a vítima em seus braços.
Algemarei, trancafiarei, isolarei e depois escutarei o indivíduo.
Dependendo do comportamento que este indivíduo tiver vou admiti-lo ou não no tribunal da minha consciência. Senão, sequer terá o direito de ser ouvido, será executado, o indivído.
Mesmo que o indivíduo seja a minha sombra. Meu coração negro não dará chances para eu ser enganada novamente.
A cor negra de minha alma será a fúnebre lembrança de que um dia eu tive fé no ser humano.
Não duvido de mais nada, pois a premeditação que encontro nos outros é a que eu invejo para mim.
Ai! Doi! Como o lugubre é dolorido!
Ser negro doi! Entendo agora a negritude de um ser humano, porque eles precisam afirmar-se.
Entendo agora a exclusão e a ausência, porque é preciso ter luz para existir.
Negro, negra, negrito, preto, escuro e funesto!
Maldito seja aquele que tornou-me excluída em meu próprio corpo!

Gonzaguinha

Eu fico
Com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita…

Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz…

Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita…

E a vida!
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida
De um coração
Ela é uma doce ilusão
Hê! Hô!…

E a vida
Ela é maravilha
Ou é sofrimento?
Ela é alegria
Ou lamento?
O que é? O que é?
Meu irmão…

Há quem fale
Que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo…

Há quem fale
Que é um divino
Mistério profundo
É o sopro do criador
Numa atitude repleta de amor…

Você diz que é luxo e prazer
Ele diz que a vida é viver
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é
E o verbo é sofrer…

Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser…

Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte…

E a pergunta roda
E a cabeça agita
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita..

Reservando minha acanhada biblioteca – enfim, encaixotando minhas preocupações – encontrei um pequeno livro que remete às ditas ilusões.

Abri o caderno – confesso que um pouco desconfiada – para saber em qual pilha colocaria – se largaria o livro ou o levaria. Sua capa é laranja, com um apagado sol desértico, e, na fronte, um gavião, sobreposto ao sol, planando de asas abertas em direção ao nascente.
O autor – Richard Bach – escreve de forma concisa e, mesmo assim, poética e, propositadamente, quase infantil. Mas, o que realmente me chamou a atenção foi uma anotação no verso da capa com a assinatura simples da minha avó. Carmen – lindo nome – escrito em inclinação, com toda a tenacidade da personalidade que Carmen tinha – minha avó.
A anotação diz: “Para todos os meus filhos, netos, tataranetos e etc. Estarei sempre com vocês. Carmen. Dez 1996″.
Não senti o aperto no peito do qual, agora, motivou-me a escrita, mas sim uma curiosidade, pois na 1ª página um novo manuscrito é observado. Nesta nova inscrição – dedicada especialmente à Carmen – há tanto a repetição da palavra amor que, ao fim do arrazoado, encontra-se a expressão ‘criar laços’ – escrito exatamente entre aspas – para sinonimamente referir-se ao amor.
Não tive escolha, li o pequeno caderno, cheio de belas ilustrações de aves e com exatos versos. Lido, sentido e chorado – é exatamente assim que devo expressar o momento breve que o livro trouxe – pois lembra que eu quero ter a esperança de encontrar sempre o amor, o laço que aquela amada Carmen – minha avó – ensinou-me.
O conto do caderno é simbólico e, ao fim, expressa que qualquer distância – em vida ou após a vida – jamais seria distante, pois o sentimento de bem querer representa a própria vida, ou seja, o amor representaria a própria vida, pois jamais existirá a morte quando lembra-se do amor – esta foi a interpretação que ficou estampada em mim.
Tola, romântica, confusa ou infantil, – qualquer adjetivo dado à mim – seria apropriado chamar-me.
Chorei o que guardava, chorei a vontade de possuir a fé, a esprerança, pois a saudade física da amada Carmen – minha avó – é muito grande.
Enfim, continuarei encaixotando. Continuarei diminuindo o que carrego e tentando apanhar pequenas preciosidades que minha vida guarda. Continuarei a lembrar daquela que amo, Carmen. É certo que, mais uma vez, ela esteve aqui – dentro de mim.
Te amo vovó!

A Sombra

07/08/2009

À Sombra de tudo…

O exame dos sonhos que vislumbram um futuro próximo.
Encontrei assombro de conduta,
Que busca na semelhança a aprovação do imoral.
Pobre dos que acreditam que toda aspiração é autêntica.
Pobre de mim que acreditei no seguido encontro.
Pobre de nós que não acreditamos na diferença da sombra.
-É!
Agora sem muitos trocadilhos:
Fui ao Rio na busca de um novo lar, mas é difícil encontrar espaço naquele lugar. Eu sei que é minha terrinha e estou feliz em retornar, mas esqueci que para tudo há dificuldade, principalmente lá.
(-bonitinho né? até rimou! mas, foi bem assim)
Fora o medo da violência – o que restringe os locais onde encontraremos real acalento – as pessoas tem agido sem a mínima preocupação em seguir alguns padrões sociais.
Afirmo isto porquê também estou no lado oposto, pois aqui em Sampa sou procurada por outros que, semelhantes, buscam um lar.
-Sim!
Voltando aos muitos trocadilhos:
À sombra do aceitável, lá encontrei o espicho antiético que, de fato, em todo lugar existe, mas à sombra da minha visão.
Mesmo assim, hoje fui lembrada de que até mesmo os pilares de virtudes podem, de forma equivocada, por ato autêntico de resguardo – afinal, quando nos sentimos ameaçados, no mínimo, nos recolhemos – esquecer da apreciação do juízo humano.
Tão complicado avaliar as situações…
Tão complicado colocar-se no lugar do seu semelhante…
Tão complicado ser único em si mesmo.
Difícil tentar escolher sinônimos para referendar o julgo que todos nós fazemos – mais próprio é dizer que a indignação me toma.
-Bem!
Enfim, mais uma vez meu protesto pelo que entendi das situações que vivi.

When the moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the stars
This is the dawning of the age of Aquarius
Age of Aquarius
Aquarius!
Aquarius!

Harmony and understanding
Sympathy and trust abounding
No more falsehoods or derisions
Golden living dreams of visions
Mystic crystal revelation
And the mind’s true liberation
Aquarius!
Aquarius!

When the moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the stars
This is the dawning of the age of Aquarius
Age of Aquarius
Aquarius!
Aquarius!
Aquarius!
Aquarius!

— instrumental and tempo shift —

Let the sunshine, let the sunshine in, the sunshine in
Let the sunshine, let the sunshine in, the sunshine in
Let the sunshine, let the sunshine in, the sunshine in

— continue to end with concurrent scat —

Oh, let it shine, c’mon
Now everybody just sing along
Let the sun shine in
Open up your heart and let it shine on in
When you are lonely, let it shine on
Got to open up your heart and let it shine on in
And when you feel like you’ve been mistreated
And your friends turn away
Just open your heart, and shine it on in


Noite

27/07/2009



















Foto: Virgínia Figueiredo


Noite!
Ontem decidi que descansaria durante o dia e,
Consequentemente,
Trabalharia durante o início da noite…
Recordo os carnavais da minha juventude,
Quatro dias de pura alegria, sem necessidade de descanso.
Noites e mais noites com os amigos, bebendo, fumando.
Como eu era resistente!
Nesta noite, perdi o tempo de sono,
Uma pequena desgraça laboriosa ocorreu.
Como todo castigo é pouco,
O sono não apareceu.
Linhas e linhas sumiram no meu horizonte arenoso,
Os sinos modernos tilintaram,
As cores da tela misturaram a Luz!
Noite, Noite…
Zangada comigo.
Só porquê eu a tinha esquecido…
Noite, Noite…
Que no meu cansaço embala,
Todo o vigor da minha fala.
Como questionar a Noite?
Ela cumpre o seu papel!
Noite! Ser sua amiga é beber do fel!
Cansei!
Vou sucumbir ao negrume do leito,
Aturdir com o ritmo dos soturnos.
Noite!
Que lânguida a demora do seu fim!
Noite…

Guardo na Memória

21/07/2009


“Guardo na memória”.

Esta frase é clichê em músicas, poemas, pensamentos…
Mesmo assim, quero usá-la,
‘Guardo na memória’.
É a única frase que realmente lembro com consternação.
‘Guardo na memória’.
É o único alento do relato da minha vida.
Quisera eu avivar o momento memoriado,
Para daí apartar os vadios instantes de todo o meu conto.
Mas, ainda assim,
‘Guardo na memória’.
Brinco com o que de principal está gravado…
Cheiros; gostos; toques; sons…
Tudo misturado,
Feito vitamina.
Assim é mais gostoso!
Na fala da infância,
No tamanho das minhas mãos,
Na amora tirada do pé,
No azulado da alfazema.
‘Guardo na memória’.
As cores do contraste entre a areia e o mar…
‘Guardo na memória’.
Seleta dos meus momentos contados,
contados por quem não sou eu.

Inclinação Vital

15/07/2009

Meu prazer…

Ah!
Meu prazer…
Cada gota, cada distração.
O movimento preenche meus sentidos.
Deleito com o esforço, com a tentativa,
E,
Com o erro.
Na verdade nem importa o alcance do certo – naquele momento – mas sim o ensaio.
Ah! O ensaio…
Que prazer poder ensaiar um gesto, um movimento, um sorriso, um sonho.
Que prazer ser enlaçada pelo toque suave do tecido, ou pela robusta caixa suspensa.
Deleito-me pela elasticidade que plasma a trama em encontro aos meus pés.
Meu circo!
Que prazer!
Volto ao fundo do mar e copio o asterisco vivo.
Ah!
Ainda tenho a loucura de descrever curvas – sempre em companhia.
Que prazer! Não bastasse o meu circo…
Desfaleço ao som sincopado.
O batuque ritma meu coração, minha respiração e meu passar.
Braços enlaçados em uma marola de cachaça,
E,
Ao giro certo o novo encontro.
Ah!
Meu agito!
Minha dança!
Meu prazer!
E eu ainda quero mais!
Ainda busco mais!
Mesmo cansada,
Meu prazer!
Encontro a cada brado – pelo esforço da trama de raquete – o meu prazer…
Ah!
Tudo importa!
Faz-me rir!
Até no inexato que experimento, encontro prazer.
Ah!
Meu prazer…
Minha brincadeira de squash!
Importa que a tudo que é vital,
A tudo que mostra essência,
Eu encontro prazer.
Inclino-me à compulsão.
Não tenha pena de mim!
Compilo meus hormônios a serem meu torpor.
Não há nada melhor!
É meu antigo entorpecente!
Houve tempo que perdi a memória.
Mas, agora, reencontro o meu prazer.
Minha inclinação vital para viver.

Amigos

10/07/2009

Antes de ter a certeza do título deste “post” eu usei o dicionário:

amigo
[Do lat. amicu.]Adjetivo 1.Que é ligado a outrem por laços de amizade: pessoa amiga; animal amigo. 2.Em que há amizade; amical, amistoso: abraço amigo; “Clama uma voz amiga: — ‘Aí tem o Ceará’.” (Manuel Bandeira, Estrela da Vida Inteira, p. 56); “Ouve da minha boca as palavras amigas, / Que te podem salvar!” (Eugênio de Castro, Obras Poéticas, p. 34). 3.Simpático, acolhedor: anfitrião amigo; casa amiga. 4.Que ampara ou defende; protetor: Precisava de uma alma bastante amiga para o auxiliar naquele transe. 5.Diz-se dos países que mantêm relações amistosas ou são aliados: Em 1808 Portugal abriu os portos do Brasil às nações amigas. 6.Benigno, propício: “Ai!, a noite é amiga! / Ai!, a noite é boa!” (Alberto de Serpa, Rua, p. 86). ~ V. números —s. Substantivo masculino 7.Homem ligado a outrem por laços de amizade (1). 8.Companheiro, colega. 9.Aquele que é amigo (4); defensor, protetor: Raimundo Castro Maia foi grande amigo das artes no Brasil. 10.Apreciador, admirador, amante: os amigos de Machado de Assis. 11.Simpatizante ou partidário: Os amigos do Flamengo exultaram com a vitória. 12.Aquele que é dado a um hábito ou um vício: É amigo das longas caminhadas na praia; Infelizmente é amigo do jogo. 13.País amigo: Portugal tem no Brasil um amigo. [Aum.: amigaço (p. us.), amigalhaço, amigalhão; superl. abs. sint.: amicíssimo e amiguíssimo.] 14.V. amante2 (6). Amigo de seus amigos. 1.Aquele que se mostra amigo verdadeiro, excelente; amigo do seu amigo. Amigo do alheio. 1.V. ladrão (3).Amigo do gênero humano. 1.Aquele que aparenta ser amigo de todos, sem ter, em verdade, amizade profunda a ninguém. Amigo do peito. 1.Amigo muito querido; amigo íntimo: “O senhor é um amigo do peito, gente minha, gosto do senhor.” (Antônio Celso Alves Pereira, Rua do Quenta-Sol, p. 178.)Amigo do seu amigo. 1.Amigo de seus amigos: “ativo negociante de vinhos no Porto, amigo do seu amigo” (Camilo Castelo Branco, Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado, p. 5). Amigo oculto. 1.Bras. Numa festa comemorativa em que há troca de presentes, como, p. ex., o Natal, cada uma das pessoas que, após sorteio dos nomes de todos os participantes, oferta anonimamente um presente àquela que lhe coube por sorte. [Cf. amigo-oculto.] Falsos amigos. 1.E. Ling. Palavras que, pertencentes a línguas diferentes, são semelhantes entre si na forma, mas não no significado; falsos cognatos. [O vocábulo port. esquisito, ‘estranho’, e o espanhol exquisito, ‘primoroso’, são falsos amigos.] Meu amigo. 1.Fam. F. amistosa de tratamento; meu chapa; amizade.”

Então amigos…
Vou sentir saudades de todos os novos amigos que fiz aqui em Sampa,
Desde os mais antigos até os menos chegados,
Vou sentir saudades de vocês.

Embora eu não vá sumir,
Embora eu tenha um montão de assuntos para resolver em SP,
Vou sentir saudade de saber que,
No dia certo,
Na hora certa,
Eu encontraria com vocês.

Poderia ser só um: -Como vai?
Eu encontraria com vocês,
Naquele dia,
Naquela hora.

Agora sei que os últimos dias serão preciosos.

Eu vou… digamos… namorar todos vocês…rsrsrs
Vou aproveitar e guardar cada momento que tiver com vocês,
Porque não há palavra mais apropriada, mais gostosa ou mais usada que a:

AMIGO

Pílula

09/07/2009

pílula
Ontem tornei-me uma pílula ambulante…kkk
Assim mesmo, juro que foi assim que aconteceu.
O calor subiu, o frio desceu…

 

Minhas extremidades apareceram e um lápis branco foi riscado em minha pele,

 

Fiquei assim, desfalecida.
Faltou-me o ar,

 

Procurei a calma da farmácia,

 

Procurei a pílula.
Benditas!!!

 

Adoro a tecnologia!!!

 

Adoro a evolução!!!
Há a sede de resultados rápidos;

 

O efêmero dos alívios;

 

Há a busca constante do hedonismo.
E eu não sou outra,

 

senão agora…

 

hahaha!!!

 

Uma Pílula!

Cepticismo

06/07/2009

Cepticismo

É a condição da qual eu me aproximo, atualmente.

Já acreditei em tudo e em todos.

Já fui à missa; cultos; reuniões espíritas (de todos os tipos); reuniões exotéricas.

Acreditem! Já busquei muito.

Recebi castigos e graças.

Já fui traída; enganada; usurpada; tolhida.

Sobrevivi! Sou humana.

Aprendi com alguns erros.

E agora? Só por isto virei céptica?

Só por ter passado por tudo que uma pessoa comum passa eu desacreditei?

Sim!

E alguém pode me culpar por isto?

Podem me culpar por querer acertar?

Podem me culpar por querer observar antes de experimentar?

Não!

E, mesmo assim, se eu observar, experimentar e não gostar, vou repelir de mim.

Vou me guardar, me enrolar em meus próprios braços e, olhar para os lados.

Acreditem no meu cepticismo!

O Riso

04/07/2009

Quando o som preenche,
Quando há dor presente,
Quando o brilho escapa ao espelho…

No meu riso encontro o acalento,
No ombro encontro cumplicidade,
Seja qual for a graça ou desgraça…

O som preenche,
E todas as tristezas parecem menores.

Estar perto de ti,
Perto de nós.

Há soma,
E a música muda o rítimo,
Uma terceira nota é percebida no tempo,
E o som preenche.

Enfim …

Embora exista o tempo,
A distância,
A discrepância,
Há no som preenchido,
Há no riso dividido,
A soma de todos os amores e dores.

Meu riso mais teu riso…
Lindo primo!,
É o som já preenchido,
É o Riso.

O problema é mais antigo…

Minha gente…rs

Parece-me, depois de alguns livros históricos que li, incluindo aí o 1808, que o Brasil tem um histórico de corrupção e preguiça.

Não importa mais em quem votamos, pois todos que candidatam-se já fazem parte do jogo, ou seja, se chegaram a um partido político e estão concorrendo é porquê, provavelmente, têm a intensão de conquistar certo poder e certo volume financeiro.

É raríssimo encontrar alguém que escolhe a política como carreira, como natureza de sua contribuição para o mundo.

Política deveria ser ensinada em colégios, assim como o direito, conhecimentos básicos para a criação de um cidadão sustentável. O altruísmo deveria ser característica primordial para políticos.

Mas, aí, vocês poderiam propor a época em que a religião dominou os maiores impérios. Daí eu respondo, quem disse que os monacais – seja a religião ou a hierarquia que for – são, de fato, altruístas?

Você pode comprovar o que de mais íntimo move cada homem?

Eu não!

Sabe quando até o fio do seu cabelo parece existir em você?

Sabe quando você consegue mensurar o tamanho da sua unha do dedão do pé, mesmo sem olhar ou tocar?

Sabe quando respirar parece ser algo menos necessário do que um banho quente?

Ai, ai…

Dor…

Faz tempo…

Faz muito tempo que não me sentia tão viva!

Mas a dor não permanecerá por muito tempo.

E viva saudável

01/07/2009

Só pensamos na saúde quando adoecemos,
Qual seria o conceito de doença se não houvesse o conceito de saúde?

Saúde é o que todos almejamos,
Basta para nós, os leigos, não ter qualquer queixa que teremos a saúde,
Mas pelo que experimento próprio,
Quando o corpo adoece o bolso é contagiado pela doença também.

Retomar a saúde custa caro!

Uma pirueta

29/06/2009

Piruetas
Chico Buarque

Uma pirueta
Duas piruetas
Bravo, bravo
Superpiruetas
Ultrapiruetas
Bravo, bravo
Salta sobre
A arquibancada
E tomba de nariz
Que a moçada
Vai pedir bis
Que a moçada
Vai pedir bis
Quatro cambalhotas
Cinco cambalhotas
Bravo, bravo
Arquicambalhotas
Hipercambalhotas
Bravo, bravo
Rompe a lona
Beija as nuvens
Tomba de nariz
Que os jovens
Vão pedir bis
Que os jovens
Vão pedir bis
No intervalo
Tem cheirim de macarrão
E a barriga ronca
Mais do que um trovão
Quero um prato
Cê tá louco
Quero um pouco
Cê tá chato
Só um pedaço
Cê tá gordo
Eu te mordo
Seu palhaço
Olha o público
Cansado de esperar
O espetáculo não
Pode parar
Vinte piruetas
Trinta piruetas
Bravo, bravo
Polipiruetas
Maxipiruetas
Bravo, bravo
Sobe ao céu
Fura a calota
E tomba de bumbum
Que a patota
Grita mais um
Que a patota
Grita mais um
No intervalo
Tem cheirim de macarrão
E a barriga ronca
Mais do que um leão
Quero um prato
Cê tá louco
Quero um pouco
Cê tá chato
Só um pedaço
Cê tá gordo
Eu te mordo
Seu palhaço
Olha o público
Cansado de esperar
O espetáculo
Não pode parar
Dez mil cambalhotas
Cem mil cambalhotas
Bravo, bravo
Maxicambalhotas
Extracambalhotas
Bravo, bravo
Salta além
Da extratosfera
E cai onde cair
Que a galera
Morre de rir
Que a galera
Morre de rir
Ai, minhas costelas
Já tô vendo estrelas
Bravo, bravo
Ai, minha cachola
Não tô bom da bola
Bravo, bravo
Lona… nuvens
Tomba no hospital
Uma pirueta
Uma cabriola
Uma cambalhota
Não tô bom da bola
E o pessoal
Delira…
Maxipirulito…
Ultravioleta…
Bravo, bravo!

Eu quis

27/06/2009

Já me conhecem…

A frase do Caio é bem o que eu penso que eu quis, mas…

Sabe aquele dia de inverno chuvoso? Esse, literalmente, é um dia de inverno chuvoso.

Paro; olho para fora; olho para dentro.
Há semelhança.

Toda a umidade…
Eu sempre fui bem humorada.

Todo o frio…
Eu sempre fui meio perdida.

Toda a ausência de luminosidade…
Eu sempre fui meio suspeita.

Mais do que a verdade, essa sempre fui eu.

E, eu sempre quis ser alguém diferente de mim.

Mas hoje, neste momento, sei quem sou,

Sei que este dia de inverno chuvoso não durará.
Virá outra estação,
Nenhum dia será como este.

Enfim, eu quis que, neste dia, não me conhececem…

A perseguição

26/06/2009

Eu tinha algumas certezas,
Agora… todas caíram por terra.

Persigo incensa a mim,
Perseguia quem eu pensava que sou.

Olhei, tateei
Quem eu era?
Encontrei meias verdades…

Quero honestidade no meu alimento.
Quero inspirar vigor.

Procuro significado em cada palavra que somo.
Persigo.